Oito de março, dia internacional da mulher, não é necessário que façamos uma retrospectiva desde o massacre de mulheres em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos até a presente data, para verificarmos os avanços alcançados por este ser, fonte geradora de vida, possa ser considerado extraordinário, a meu ver minúsculos e pequeninos estágios de evolução, vejamos: Congresso Nacional composto por 513 deputados federais e o senado com 81 membros o número de mulheres é insignificante, embora sejam a maioria populacional do Brasil..
No quesito mulher com deficiência nesse universo apenas uma única salvadora da pátria a Senadora Mara Gabrilli. Já que mencionei uma mulher em cadeira de roda como exemplo, transporto-me para o estado do Piauí, a Assembleia Legislativa do estado com número ínfimo de mulheres representantes do povo escolhida através de sufrágio eleitoral. A câmara municipal de Teresina algumas mulheres, lamentavelmente empoderadas por interesses masculinos. No que se refere a inclusão, a última parlamentar feminina nesse poder foi a vereadora Cida Santiago.
Faço esse preâmbulo para provocar um debate referente a entrevista de uma advogada, mulher cega que apesar de estar permanentemente no dia a dia acompanhando o secretário da inclusão Mauro Eduardo, em suas andanças, ainda não digeriu o processo brutal de exclusão, discriminação, preconceito, retaliação e represália a mulher, qualquer que seja sua atividade laboral e profissional, cito a advogada Camila Hannah, atuando em defesa de um membro do MP-PI, autora de um processo do qual sou réu, ao se manifestar em juízo com a intenção de proteger sua constituinte foi atropelada de forma desrespeitosa e humilhante, quando a autora do processo solicitou uma parte ao meritíssimo e se manifestou da seguinte forma: Dr. me permita falar esclarecendo o que a advogada não consegue explicar. Concedido um aparte que durou uma média de 5 minutos.
Uma das advogadas que atuava em minha defesa se inquietou intervindo perante o juiz, que aquele ato era ilegal em virtude de haver uma advogada legalmente constituída para representá-la. O meritíssimo imediatamente interveio impedindo a palavra daquela senhora, absolutamente fora dos padrões normais do rito da justiça. Estou registrando esse deplorável fato apenas e tão somente para discordar absolutamente da entrevista dessa advogada que tenta colorir o pavão com cores artificiais desprezando a natureza que faz a sua parte naturalmente.
No caso da mulher parturiente, qual atenção que lhe é dispensada no momento de dar a luz a um filho? A meu ver é praticamente zero, o que existe na realidade são mídias institucionais fraudulentas e mentirosas que não condizem com a realidade dos fatos.
A mulher em cadeira de rodas tem algo a comemorar? Principalmente em Teresina, cidade que desrespeita a legislação, como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), código de postura do município, direito das mulheres e outros. Alguns falastrões asseveram que se olharmos para o passado recente muita coisa já mudou. Eu sou mais radical, ao retrocedermos há 21 anos de ditadura ferrenha com poder de milicos do prende e arrebenta, verificaremos facilmente que essas atrocidades findaram em 1984, quatro anos depois veio o advento da constituição federal do Brasil, 5 de outubro de 1988, portanto as mudanças que os oportunistas elencam são apenas para eles.
É importante lembrar que as exigências para a pessoa com algum tipo de deficiência conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) tem que estar dentro da exigência do estado de ¼ de salário-mínimo como renda per capta familiar. Para os desinformados trata-se de um salário-mínimo dividido em 4 partes, entendo esse quantitativo como sendo estado de miséria, cumulado com muita fome, e as demais exigências de cidadania danem-se, para favorecer de forma superlativa a distância socioeconômica financeira entre o menor e o maior.
É necessário contemplarmos a tragédia diária que acomete de forma vil a mulher, o feminicídio é realidade inequívoca contemplando os assassinos com a criminosa impunidade, não consigo entender que esse processo é algum tipo de mudança positiva.
O Instituto Benjamim Constant, no Rio de Janeiro para pessoa cega, tem assegurado dotação orçamentária no valor de 20 milhões de reais anual por parte do Ministério da Educação. A Associação dos Cegos do Piauí (Acep) para sua subsistência é obrigada estender a mão à caridade pública, em busca de centavos para sua manutenção. Como perguntar não é ofensa: Quais são as obrigações do governo do estado e da prefeitura Municipal de Teresina para atender as necessidades de 1.700 membros associativos? em conformidade com declarações do atual presidente da instituição.
Quero finalizar meu comentário parabenizando três mulheres, pessoas cegas que trabalham, lutam, se esforçam diariamente para sua sobrevivência, refiro-me a deficiente visual de prenome Margarida, Socorro do Pano e Regina.
Entendo que qualquer pessoa cega ou com algum tipo de deficiência deve ter o mínimo de conhecimento geral de causa para não cometer heresia e deseducar a sociedade em entrevistas a opinião pública, pois quem sofre com isso é o desfavorecido que precisa de favores e atenção por parte da sociedade, mas a propaganda enganosa o remete ao processo de exclusão em virtude daquele que tem mesa farta, graças as tetas do dinheiro público originário
dos escorchantes impostos pagos pelo contribuinte. Para que alcancemos o nosso lugar ao sol ainda temos que amargar centenas de séculos para que a sociedade, poderes, instituições, autarquias e entidades se adéquem para reconhecer que o contingente de pessoas com deficiência é formado por cidadãos e cidadãs de direitos.
Carlos Amorim – DRT 2081/PI



