59 anos de saudades

Ouvi entrevista do cantor Zeca Baleiro, com a Carmem Delpino, na rádio cultura, na ocasião o cantor promovia seu último trabalho e aproveitando o ensejo tecia comentários da sua trajetória remanescente da baixada do Mearim até o ápice em sua atuação pelo mundo, principalmente Portugal, quando através do trabalho desenvolvido na Europa foi contemplado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira em 2021 com o álbum “Canções d’Além Mar”, de fundamental importância para os que conseguem se destacar através da arte musical que é muito difícil, em algumas vezes o sucesso torna-se impossível mesmo havendo intensa insistência..

O Zeca fez alguns comentários referente as pessoas que ajudou, quando criou sua própria gravadora, muitos dos sortudos, já idosos gozaram a realização dos seus sonhos ao gravarem suas músicas, como também, os compositores e cantores que tomou conhecimento das suas existências no período da sua adolescência e juventude, resgatou muito das suas obras dando uma nova roupagem e adaptando a forma de cantar a sua voz grave, mas ele talentoso, inteligente e competente consegue agradar gregos e troianos.

Um episódio na entrevista me remeteu a 1966, quando fui interno no colégio do Pe. Clodomir Brandt, na cidade de Arari, baixada do Mearim-MA. O Pe. Clodomir Brandt, após as refeições costumava desenvolver algum tema futurístico como forma de conscientização, formação e politização de todos os internos para o convívio com a prosperidade, o futuro e as novas tendência democráticas ao sairmos do processo ditatorial promovido pelo então milico de plantão Humberto de Alencar Castelo Branco, que conduzia o Brasil na base do pontapé, açoite, prisões, tortura e exílio aos descontentes. Conforme as orientações passadas, jamais poderíamos esquecer as nossas origens acalentada de lembranças e respeito aos que tombaram e ficaram a beira da estrada.

Essas reminiscências refere-se ao trecho da entrevista do Zeca, ao responder a Carmem, disse ter nascido em uma cidade do interior do maranhão, assegurou ser autodidata, quando aprendeu tocar violão assistindo e ouvindo seus irmãos mais velhos, entendi automaticamente que as palavras do Pe. Clodomir Brandt e Silva, pronunciadas após as refeições no refeitório do internado tomaram corpo, alma e vida através do (Zeca do Tonico Santos), naquele momento, possivelmente de forma inadvertida e involuntária exerceu a necessidade de ocultar suas origens após o esplendoroso sucesso do primeiro prêmio Sharpe de 94 ao “espinha de bacalhau”, resgate musical que obteve sucesso muito antes do nascimento do cantor (mesmo com a gravação de  Muzak).

O que pairou na minha cabeça naquele instante foi a ausência das informações Arari, baixada do Mearim-MA, os irmãos José Reinaldo e Abdomaci que por dezenas de vezes fui testemunha de verdadeiros saraus realizados em uma praça em frente a residência dos pais do Zeca, Tonico e Socorro Santos. Lembro-me que talvez para concorrer com o sucesso e admiração popular daquela família iluminada pela música o então prefeito Raimundo de Maro, instalou um televisor próximo ao local das apresentações.

A título de informação recebi ligação telefônica de São Paulo de um querido amigo Antônio Carlos Silva, popularmente conhecido por “Filho”, conversamos bastante, matamos saudade do Ginásio arariense e todos nossos companheiros e amigos daquele tempo inesquecível, principalmente das meninas, todas além do seu tempo, não citarei nomes para evitar cometer  injustiça.

Em setembro de 2024 estive na solenidade religiosa de Bom Jesus dos Aflitos, após a procissão por volta das 20h fui avisado da presença do professor de matemática José Ericeira, foi muita emoção quando nos abraçamos e ele avisou: a da Graça está aqui, foi minha professora precoce ainda, mas aquele momento retrocedi a sala de aula, apertei a mão da mesma e pedi para lhe dar um abraço, me veio rapidamente o pensamento da minha paixão eterna (esperei 50 anos por esse ato).

Caro amigo Antonio Carlos, tenho convicção que minha missão perante a cidade de Arari foi concluída naquele dia 14 de setembro de 2024, principalmente com o testemunho que dei durante a missa, referente a Rural Willys a uma velocidade de 100km em uma carroçal com 16 internos a bordo, tombamos e graças a um milagre do santo padroeiro conservou a vida de todos até aquele momento do meu emocionante e traumático depoimento.

Carlos Amorim, Jornalista DRT 2081/PI

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Jornalista Carlos Amorim
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