Dia 10 de setembro do corrente ano por volta das 15h30 desembarquei do ônibus da empresa Util na rodoviária Interestadual em Brasília, ao tentar contatar a gerência da empresa citada não logrei êxito, em virtude que não respeitam a política de acessibilidade referente ao artigo 9º da LBI 13.146/2015.
Sou pessoa com deficiência visual vitimado por esse inominável constrangimento público. Acompanhado de um apoio, segurança da rodoviária, fui a agência da ANTT, por incrível que pareça o que deveria ter a solução, reduziu-se em humilhação, exclusão e capacitismo. A porta do escritório estava fechada, bati suavemente no vidro, uma senhora abriu de forma brusca interrogando: o que você quer? Informei minha intenção de registrar uma denúncia, a funcionária despreparada de forma autoritária, intransigente e mau educada, em tom não alterado declinou: fique aí esperando o atendimento.
A título de informação não existia nenhuma pessoa com o mesmo objetivo meu, me identifiquei aquela senhora com a carteira de jornalista emitida pela Fenaj-Federação Nacional dos Jornalistas, como também apresentei a cédula de identidade da Associação dos Cegos do Piauí, na ocasião ostentava a credencial do encontro mundial de pessoas cegas e de baixa visão realizado no Anhembi em São Paulo, ao tempo em que perguntei: a senhora conhece o Estatuto da Pessoa com Deficiência do Brasil? Ela sem qualquer explicação bateu a porta na minha cara e foi-se.
Lamentavelmente estou relatando um fato fidedigno de absoluto crime cometido em desfavor de um cidadão com deficiência visual, o incompreensível é o inominável fato ocorrendo no distrito federal do Brasil de onde as autoridades constituídas do país promovem suas bravatas, enganações, mentiras e ludibriações, esses atos já denunciei a Agência Nacional de Transporte Terrestre, quero acreditar que não ficará impune. Com a palavra a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com deficiência Ana Paula Feminella, que inclusive esteve no Anhembi-São Paulo, na abertura do encontro mundial da pessoa cega e com baixa visão.
Quero também chamar atenção do senador Paulo Paim, senador Romário, senadora Mara Gabrilli e tantos outros membros do Congresso Nacional que diariamente promovem seus discursos eivados de proselitismos e na realidade o que é oferecido como garantia de direitos a pessoa cega no Brasil é esse tipo de procedimento que descrevo aqui nos mínimos detalhes que possa justificar uma cadeia perpétua aos autores desse tipo de irresponsabilidade, lamentavelmente não temos essa penalidade no estado brasileiro, que é proibido sumariamente pelos direitos humanos da nossa república federativa.
Carlos Amorim, Jornalista DRT 2081/PI






