Omissão e negligência de canalhas

Por um acaso, na manhã de 19 de dezembro de 2025, eu estava nas proximidades do Mercado São José (Mercado Velho) e, ao transitar na calçada inacessível do Mercado, percebi um barulho gigantesco, como se fosse cavalos em trote. Perguntei a um transeunte o que funcionava ali. A resposta foi contundente: é o restaurante popular da Prefeitura.

Sem titubear, mudei meu itinerário e quebrei para a esquerda. Para a minha surpresa, perplexidade e humilhação, fui submetido à escalar uma escada íngreme de um material metálico.

Auxiliado por populares, fui ao guichê e comprei o cupom de número 497 por dois reais, me dirigi para a fila e em cinco minutos cheguei ao local de abastecimento da bandeja. Me foi servido duas colheres de arroz branco, um pedaço de abóbora, talvez pensando 100 gramas. O energético foi uma coxa de frango frito.

Pelo que ficou perceptível, apenas e tão somente três espaços da bandeja foram ocupados. Pelo que posso entender, faltou farofa, macarrão, feijão, salada e uma fruta. Em outros restaurantes que funcionam em Teresina, servem suco e sobremesa. Uma pessoa solidária me auxiliou e me acomodou em uma mesa, o restaurante abarrotado antes do meio-dia.

Estou fazendo este esclarecimento, para não haver o pretexto evidentemente apresentado pelos gestores públicos municipais. Naquele horário ainda não era considerado como final de feira. Plagiarei o saudoso Firmino Filho: “Moral da história”, ao sair daquela embromação municipal, fui almoçar de fato no restaurante ‘União’, do meu amigo Chiquinho, localizado na Rua David Caldas, próximo à Caixa Econômica Federal, na Areolino de Abreu.

Duas considerações necessárias a serem feitas. O cidadão trabalhador, faminto ou desocupado, tem imenso prejuízo em pagar por uma bandeijinha, em conformidade com o que descrevo, pelo valor de dois reais.

Posso asseverar tratar-se de embromação, como também usurpar a bolsa popular de quem não tem nada. Não consigo entender como uma pessoa consegue suprir ou renovar suas energias para a segunda etapa de trabalho, em virtude da ausência de nutrientes necessários que o organismo humano necessita.

Para concluir o caos, não existe nenhum funcionário treinado para garantir apoio à pessoa com algum tipo de deficiência, idosos, gestantes e outros. Falei, na ocasião, para a Rádio Capital FM 87.7, no Jornal Redação Capital 2ª edição, não para fazer sensacionalismo, apenas com o objetivo de levar conhecimento à opinião pública sobre a gravíssima situação que humilha, constrange e desmoraliza o cidadão e cidadã de baixíssimo poder aquisitivo.

Outra situação que deve ser revista é a disponibilidade de acessórios à mesa. Cito jarras com água gelada, lenço ou guardanapos de papel, palito para dente e outros. Com muita dificuldade, consegui chegar até à pia para higienizar minhas mãos e orifício vocal. Mais uma decepção: não havia sabão no local. É importante informar que recebi um talher minúsculo, daqueles usados em creches para iniciação infantil com acessórios.

Quero deixar bem claro que a ligação telefônica que recebi não me afeta em absolutamente nada, não tenho medo de vôo de “galinha”, pois não tem sustentação. O que me deixa estarrecido, perplexo e estupefato é a cegueira moral das instituições fiscalizadoras da imprensa e das autoridades legalmente constituídas, em virtude que esse crime denunciado por mim, está visível até ao olhar de uma pessoa cega, que é o meu caso.

Gostaria de saber que tipo de serviço o Secretário de Estado da Inclusão sr. Mauro Eduardo, tem implementado para combater esse tipo de malidicência. Chamo atenção também dos dois conselhos existentes, municipal e estadual.

O Donizete Adalto cunhou a célebre frase: “Não morro sem ver tudo”. Eu falo diferente, não quero morrer antes de ver tudo.

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Jornalista Carlos Amorim
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