Dia dois de janeiro, por volta das 9 horas da manhã, adentrei a Caixa Econômica Federal, agência 2004 da Areolino de Abreu. Solicitei à uma pessoa que estava próxima à entrada do Banco, uma pessoa que tem atribuição para distribuir senhas, pedi em alto e bom som que me indicasse um funcionário para que me auxiliasse a sacar o valor de 1 mil reais na minha conta bancária. Fui indicado à uma funcionária que, ao me recepcionar, perguntou qual tipo de serviço eu desejava. Explicitei que gostaria de fazer um saque. Ela pediu o cartão e a senha, virou-se à frente da máquina, quando eu fiquei nas costas daquela funcionária, o saque foi realizado com sucesso, mas, a funcionária cometeu um deslize fatal quando não me indicou o local para a identificação biométrica.
Acredito que como havia muitas pessoas se acotovelando ali, alguém mal intencionado estava no meio, com o objetivo criminoso de capturar senhas, como também tentar roubar algum recurso em espécie. Lembro que essa senhora, enquanto a máquina processava as cédulas, ela colocou a minha mão em um orifício que seria liberado as cédulas. Nesse momento ela já saiu do meu lado esquerdo para outro atendimento.
Contabilizei as dez cédulas de 100 reais sem haver a fiscalização da funcionária. Concluído essa fase, me direcionei à porta de saída, alguém me orientava à distância ‘Vá para o lado de lá’, ‘Venha para o lado de cá’, ‘Siga em frente’.
Sou pessoa com deficiência visual, assegurado pela legislação das três esferas de governo, LBI 13.146/2015, artigos 9 e 63. Essa legislação trata-se de proteger, amparar e assegurar direitos à pessoa com algum tipo de deficiência. Lamentavelmente, essa disposição legal não está sendo respeitada pela Caixa Econômica. Fato concreto é o prejuízo ao qual fui submetido no valor de 1.950 reais.
Voltando ao fato ocorrido, ao tentar tocar a minha bengala na porta de vidro, esta se abriu acionada por um indivíduo que estava do lado de fora. Foi muito atencioso e acessível quando me ofereceu auxílio para transpor a rua Areolino de Abreu. Já na calçada da Farmácia Popular, esse indivíduo me avisou que a funcionária da Caixa Econômica queria falar comigo, pois eu havia realizado um saque de 1 mil reais, mas o sistema registrou 3 mil e eu teria que andar rápido para evitar o prejuízo de 2 mil reais.
Voltei em direção à agência, foi quando fui avisado por aquele indivíduo que aquele local não estava funcionando, teríamos que ir à Caixa Econômica Conselheiro Saraiva na praça Rio Branco. Como ele se identificou como gerente operacional da Caixa, segui com o mesmo para corrigir a falha no setor especializado.
Ao atravessarmos a rua Barroso, entramos no Tudo de Banco que pertence ao Banco do Brasil, na ocasião, alertei ao estelionatário que ali não era a Caixa. Ele retrucou, asseverando que todos os bancos estavam centralizados naquele recinto. Me acomodou em uma cadeira e disse que iria falar com o gerente.
Em dois minutos, retornou com um envelope pedindo para que eu colocasse o cartão e o dinheiro do saque. O objetivo seria devolver o saque e realizar um novo. Aparentemente, é o golpe mais besta que eu já tive notícia e principalmente eu sendo vítima aos 74 anos, vastíssima experiência acumulada andando pelo mundo. Mas, é importante frisar que aquele camarada tem o dom do convencimento.
O golpe foi concluído quando ele me entregou o envelope grampeado e disse: “vamos voltar para a Caixa Econômica da Areolino de Abreu, pegue esse envelope para entregar à recepcionista. Ao chegarmos em frente ao Hotel Real, o meliante desistiu de seguir comigo, com o argumento de que teria muitas pessoas para atender. Naquele momento percebi que havia caído no conto do vigário.
Ao chegar à agência, solicitei prioridade para falar com o gerente, pois o banco não havia ainda aberto para a clientela. Fiquei 15 minutos aguardando o procedimento, quando subi ao terceiro andar para falar com o gerente e apresentei o envelope ele foi enfático: “Seu Carlos, o senhor caiu em um golpe!” o envelope tinha apenas alguns papéis dobrados.
Uma situação que me causou espécie foi quando cheguei à Caixa Econômica Federal, que pedi para falar com a recepcionista que me atendeu, um colega seu me informou que ela havia ido para o terceiro andar ter com o gerente. Solicitei àquele moço que comunicasse ao gerente que eu estava à sua espera. Fatos não considerados, como também negados pelo gerente que assegurou não ter recebido nenhum funcionário, tampouco comunicado de alguém que queria falar com ele.
Além dos 1 mil reais, o marginal sacou, na agência da praça da Bandeira, 950 reais. Ao tempo que me direcionava para a Caixa, lembrei-me de bloquear o meu cartão através do serviço de número 40040104, mas tive meu intento demovido em virtude de pane nesse número há 40 dias.
No dia 9 procurei a Caixa Econômica Areolino de Abreu e comuniquei esse fato à funcionária. Ela declinou que muita gente tem levado esse problema à ela, me pediu paciência que o serviço seria restabelecido.
No dia 10, às 6h da manhã, acionei o telefone reclamado e estava ativo, lembro-me que o saldo era de 9 reais e 27 centavos. Portanto, eu estou apresentando uma série de situações que contribuíram contra minhas reações para solucionar o caso.
Dia 15 fui informado pela Caixa Econômica Federal que os técnicos negaram a restituição dos valores. Lamentavelmente, como vivemos em um estado democrático de direito e poderes legalmente constituídos, irei às barras da Justiça Federal para ter não apenas os valores subtraídos, mas pleitear ação de danos morais, danos materiais e lucros incessantes.
O fato que me causa espécie é como vazou a minha senha para aquele indivíduo que aplicou o golpe do “falso gerente”, pois a única pessoa a quem eu passei a mesma foi a funcionária da Caixa Econômica que o gerente, através das filmagens, identificou ser de fato funcionária da instituição.
Ao registrar B.O no Primeiro Distrito Policial, um agente declarou: “Seu Carlos, esse golpe aplicado todos os dias chegam aqui nesta delegacia, dezenas de vezes.” Perguntei por que motivo não há repressão para conter o ímpeto desse bando. A resposta dele foi rápida: “A polícia é impotente para resolver esse tipo de problema. Eles furtam, falsificam, são conhecidos por todos, mas não acontece nada porque saem do flagrante, tornando-se impossível serem presos.”
Eu dou uma sugestão. Como as gravações das câmeras documentam todas as ações da agência, seria importante criar um banco de dados com as imagens desses indivíduos para dar sossego, paz, tranquilidade e segurança aos correntistas dos bancos de Teresina.
Os alvos desses marginais são pessoas idosas, com deficiência e principalmente que não podem manusear as novas tecnologias oferecidas nos terminais bancários.
Recentemente, ou mais precisamente do dia 1 à 5 de setembro de 2025, participei do Encontro Mundial de pessoas cegas e com baixa visão. 190 países presentes, acima de 4 mil membros em todas as partes do mundo debateram, de forma exaustiva, todas as possibilidades para evitar esse tipo de golpe e outros. Lembro-me da palestra de um mestre com deficiência visual debatendo esses fatos, que na Espanha é praticamente impossível suas realizações, em virtude da vastíssima legislação como também os rigores da polícia e do poder judiciário.
Aqui no Brasil, temos a obrigação de corrigir essas falhas horrendas e deixar de bater palmas a quem não merece.
Carlos Amorim – DRT 2081/PI



