Insaciáveis, desonestos e ladrões

15 de setembro de 2026 poderia ter sido histórico se os homens e uma mulher, componentes do Supremo Tribunal Federal do Brasil tivessem feito seu dever de casa, ou seja, expurgando, expulsando e defenestrando seus pares que enodoam, enxovalham e desmoralizam o processo democrático brasileiro já combalido, desrespeitado e desmoralizado pelos próprios representantes dos poderes da República Federativa do Brasil.

O momento que vivemos é auspicioso para uma renovação de cabo a rabo do Congresso Nacional, elegendo pessoas isentas de qualquer tipo de patifaria ou bandalheira minimamente desenvolvidas pelos escolhidos. Seria importante uma “vassourada”, ou seja retirar definitivamente todos que caducaram ocupando cargos que já não representam absolutamente nada para uma construção sólida de garantia de direitos a serviço de quem paga essa conta, na realidade o contribuinte.

Não gostaria de falar das armas que representam o EMFA(Estado-Maior das Forças Armadas), que por muito menos em 31 de março de 1964 tomaram o poder, dissolveram todas as instituições democráticas e ficaram por 21 anos descendo o “pau” na população brasileira, ninguém ousava dizer absolutamente nada, foi estabelecido a vontade de um só, que determinava tudo na primeira pessoa. O mais sanguinário de todos, gen. Emílio Garrastazu Médici, muita bala, pau de arara e prisões arbitrárias, estabelecimento do AI-5 (Ato Institucional nº 5), na ocasião os brasileiros se quer piavam como um pintinho abandonado pela galinha.

No exercício do general Geisel, veio uma esperança, que foi o início da abertura política brasileira, foi uma verdadeira briga de foice no escuro. A partir do mandato do General de cavalaria Figueiredo, começou a florescer o processo de liberdade, eu, por exemplo, militei muito forte nas manifestações políticas de 1979, anistia ampla, geral e irrestrita, quando os brasileiros exilados do país foram autorizados a retornarem a sua pátria, briguei muito em prol das liberdades, diretas já, redemocratização do Brasil e conquistas ao exercício de cidadania, principalmente direito ao voto.

Lembro-me com tristeza ao perceber a bandalheira que ajudei construir, as memoráveis manifestações que participei no Rio de Janeiro, nos logradouros Cinelândia, Candelária, Largo da Carioca, Central do Brasil, Praça Saenz Peña na Tijuca e a inesquecível caminhada de um milhão de pessoas ao longo da Av. Rio Branco centro do Rio de Janeiro, quando participei daquela organização cívica ao lado de grandes personalidades, naquela luta titânica em busca de liberdade e direitos, cito: Lucélia Santos, Benedita da Silva, Miguel Arraes, Gabeira, Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, Brizola, Cidinha Campos, Daisy Lúcidi, Marcello Alencar, Juruna, José Frejat, Agnaldo Timóteo, Dilma Rousseff, Wilmar Palis, Saturnino Braga e tantos outros.

Por incrível que pareça, nos dias atuais eu tenho vergonha de ter participado e colocado minha vida em risco por tudo isso, em virtude que a repressão por parte dos inimigos era violenta, muitos companheiros tombaram antes da vitória triunfal, ou seja, o restabelecimento das garantias institucionais com a primeira eleição nacional já daquele novo tempo, quando foram eleitos constituintes que elaboraram a Constituição Federal do Brasil. Ulisses Guimarães em seu pronunciamento naquela tarde histórica identificou esse documento como “Constituição Cidadã” naquele 5 de outubro de 1988

A partir do último dia 15 de setembro de 2026 me arrependo de morte de ter abdicado de convite para residir nos Estados Unidos, mais precisamente em Washington, com tudo que tinha direito e algo mais só Deus saberia. Eu tinha apenas 21 anos de idade, hoje tenho 75 anos, sou uma pessoa idosa, desencantado, exaurido, muita decepção, vergonha e humilhação sofrida, principalmente pelo poder judiciário dessa república de merda, (salve-se quem puder).

* A título de informação, leia o livro Memórias do Cárcere de Graciliano Ramos, cuja obra foi transformada em película da sétima arte de autoria do saudoso Nélson Pereira dos Santos, um dos fenômenos do cinema brasileiro.

Carlos Amorim – DRT 2081/PI

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Jornalista Carlos Amorim
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