A degradação que sofre o rádio do Piauí nos dias atuais é aviltante, decepcionante, vergonhosa e humilhante, principalmente no quesito material humano, ou seja, os comunicadores desprovidos, no mais alto grau superlativo, de conhecimento e informações adequadas à pauta veiculada.
Terça-feira, dia 5, ouvi, na Rádio Teresina FM, no horário da manhã, uma senhora entrevistando uma autoridade do sindicato dos Trabalhadores de Transportes de Passageiros e Entregas por Aplicativo no Piauí (Sinttapp-PI) referente a crise do modelo desse transporte coletivo urbano de Teresina, quando ouvi das duas partes, entrevistado e entrevistadora, informações inadequadas, terríveis e humilhantes, levadas ao conhecimento da opinião pública, declarações deploráveis, sem a mínima capacidade de elucidar e contribuir com boa qualidade ao contribuinte e o usuário do sistema para que seja transportado com dignidade, responsabilidade e compromisso por parte dos operadores.
O que eu vi muito bem por parte desses dois ícones, foi a responsabilização do cidadão e da cidadã que paga caríssimo por esse deficitário tipo de transporte, quando atribuíram a responsabilidade aos usuários com o seguinte pretexto: “é assim mesmo minha filha, o ser humano é dessa forma, a culpa é de ambas as partes”. Ouvi aquele relincho com minha cara no penico, decepcionado, humilhado e envergonhado.
Sou pessoa com deficiência visual; em virtude da ausência do transporte coletivo urbano tradicional, o meio de transporte do meu dia a dia é o táxi. Em hipótese alguma uso o meio alternativo, simplesmente por não ter a quem reclamar; eles são absolutos, incompetentes, desprovidos minimamente do que a legislação pertinente ao transporte urbano determina, principalmente nos quesitos direitos humanos, estatuto da pessoa idosa, estatuto da pessoa com deficiência e vastíssima legislação que assegura direitos à mulher em qualquer estado que ela se encontre para o seu cotidiano em deslocamento, como assegura o artigo 5º da Carta Magna brasileira.
O que me causou espécie é que não houve qualquer tipo de informação pertinente referente a necessidade de uma legislação rigorosa e efetiva por parte da Câmara Municipal de Teresina, que impusesse punição, penalidade e criminalização a protagonista dos péssimos serviços prestados por esses falsos profissionais do volante, confirmado por áudios veiculados pela emissora, recepcionados com muita satisfação e orgulho pela âncora do programa. Lembro-me de alguns: “no meu carro eu não carrego cachorro”; “quando sou chamado para atender pessoa em cadeira de roda, não levo, em virtude de que meu carro não é adaptado para esse tipo de passageiro”.
A sindicalista entrevistada saiu-se com essa palhaçada: “em uma certa ocasião, atendi uma pessoa em cadeira de rodas; por insistência do passageiro, tive que colocar seu acessório dentro do meu carro, que foi danificado, teve o banco rasgado, me causando prejuízos”. A resposta por parte da apresentadora foi a que havia pronunciado por dezenas de vezes: “é porque é gente, gente é assim mesmo, é muito difícil”. Percebe-se facilmente o vazio da mente dessa senhora; lamentavelmente, não houve qualquer sugestão positiva para resolução do problema.
Por exemplo, a obrigatoriedade, através de lei federal, para que as empresas sejam obrigadas a disponibilizar veículos adequados, espaçosos, com a finalidade exclusiva ao atendimento ao contingente de pessoas em cadeira de rodas. É importante informar que é ínfimo o número existente em condições de usar esse tipo de transporte, que diga-se de passagem, é muito caro. Outra situação que deve ser implementada com urgência é a capacitação desses precários profissionais para adequarem-se a política de acessibilidade pertinente à pessoa com algum tipo de deficiência, em conformidade com a Lei Brasileira de Inclusão, de número 13.146, ano 2015, como também, a Lei Federal 10.098, em seus artigos que definem o que deve ser seguido para garantir o transporte a essas pessoas com dificuldades de locomoção. A Lei nº 5.296 também assegura direitos invioláveis ao ir e vir da pessoa com deficiência.
Portanto, falaram de muitos devaneios, estórias, em um verdadeiro palco circense, sem qualquer objetividade minimamente plausível; lamentavelmente, o rádio se dispõe a prestar esse péssimo serviço de desinformação à sociedade como um todo e, especificamente, desinformando a opinião pública. Logo após aquele vergonhoso projeto de desmoralização ao contribuinte que necessita de um transporte eficiente, fez algumas considerações referentes ao que foi o programa de rádio de 10 anos passados. Por exemplo, participavam diretamente por telefone profissionais liberais, membros do Poder Judiciário, operadores do magistério, empresários e autoridades. Tenho aqui na minha lembrança uma média de 30 a 40 dessas personalidades, cativas diariamente, assegurando sua cota de contribuição à informação plena, aos ignorantes na etimologia da palavra “ignorar”.
Hoje temos o WhatsApp como censor para julgar, peneirar e selecionar o que pode ou não ser veiculado; o que é terrível é que esses censuradores e ditadores não têm o conhecimento adequado para o serviço que se propõem a censurar de forma ditatorial: a separação do joio e do trigo, o relativo referente ao correto, o ilícito e o crime verbal ao ataque à honorabilidade do objeto denunciado. É importante lembrar que a Constituição Federal de 5 de outubro de 1988 continua vigente; lamentavelmente, sofreu mais emendas do que cortina de casa de pobre assistido pelo famigerado Bolsa Família.
Carlos Amorim – DRT 2081



